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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Arte, pt.1


Arte, causa e efeito de tudo a nossa volta. De todo e qualquer acontecimento. Da vida e da memória.

(Tudo mudou. Todos mudaram. O que eu quero é diferente do que eu queria, mas tão inalcançável quanto. Mas enquanto eu não queria, podia ter.
Agora não. Agora é diferente.)


Ou talvez nunca. Talvez tenha sido tudo delírio, imaginação.
Falta de sincronismo.
Ilusão.
Meu corpo pede abrigo – falta intenção.
Falta o amigo – sobra coração.
E quanto ao infinito? Perde-se a noção.
Falta o instinto, sobra emoção.


Palavras soltas que a você não dizem nada mas a mim falam muito. Descrição:
Eu vivo aí.
Você aqui
em mim.

Silêncio.

Confissão. Ninguém escuta.
Todos têm ouvidos, mas ninguém pode ouvir
o silêncio que fala
mudo. E surdo. E cego.
Imundo.
Sujo de verdades puras,
cura para o amor discreto.

- 2011

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A vida


A vida, desacreditada e vazia pelos cursos que ela tomava, deixava de ser algo normal para ser agüentada. E de igual os dias não tinham nada: a casa desabava, e, no outro dia reconstruída, voltava à sua vida na imensidão outrora vivida. E pra quem tem memória, se a alegria demora, vazia a vida fica olhando tudo a sua volta.
E orando pedia, “Que um dia retorne a felicidade esquecida que tanto me consome”. Verdade ouvida, mas ela foge vencida pelo cansaço terreno de um outro desejo.

(incompleto)

- 2008 

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dezembro

Seis horas. Os pássaros começam a cantar e eu ainda não dormi. Parece um dia frio, mas é Dezembro. Parece Junho. Parece eu acordando em um dia de inverno para ir à escola. Parece passado. Parece a vida que eu tinha antes de deixar esta casa. Antes de abrir as asas e voar para longe – e é uma metáfora brega, desgastada, mas é verdade. Eu fui longe. Fui mais longe do que eu imaginava que poderia. Fui mais longe do que eu achava que existia. E voltei. Voltei porque meu coraçãozinho fraco precisa de descanso. Precisa respirar. Precisa de um calorzinho, um amorzinho para se recuperar. Mas o dia hoje amanheceu frio como Junho. Amanheceu triste como Novembro que acabou de passar. Aliás, triste não é Novembro, é o que vem depois. É a distância. É uma manhã fria de Dezembro.

- 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Saturar


(tentativas)

Saturo você de mim em outra órbita, talvez Saturno. Envolve-me em seus anéis, dedos fiéis que se escondem em outros mundos. Mais um trago, mais um gole, quantos cometas s’explodem até que eu seja quem você quer? Espelhos, ilusão de ótica se você quiser. Entenda que até outro dia era pouca a alegria ao lado seu. Mas quantos outros passos para o lado errado temos que dar pra você de novo me abraçar? Aquilo que não foi um sonho, foi a realidade em goles de pinga sabor desjuízo que a gente bebeu. Passa um tempo, parece ontem o fim de semana que você me deu.

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Saturo você de mim em outro tempo-espaço, talvez um céu claro. Enlaça-me em seus braços pelas ruas e calçadas, estradas de volta para casa em uma noite escura. Satura meu pensamento insano de tragos e goles de erros. Permeia o amor confesso, o silêncio dos incrédulos e o fétido desespero. Saturo-me em você para que esquecer não seja escolha. Quero você saturado em mim. Sem fim.

- 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

[Eu tenho títulos sem textos]


Eu tenho títulos sem textos.
Mal feitos
De efeito

Eu tenho rimas sem histórias.
Sem memória,
Sem vida

Eu tenho erros que não tinha.
Eu tenho momentos, segredos
Secretos, incertos,
Os pensamentos do dia.

Sendo a noite ainda viva,
Me contento com o perto
Certo, concreto
Sossego para a alma minha.

- 2008